domingo, 15 de março de 2009

Poeira da Saudade (Menina Triste)

Do livro 4 Mulheres a poesia:

Menina Triste
(Foto; arquivo pessoal)
O vento bate em meu rosto,
despenteando meus cabelos.

Pés descalços pelo chão,
canto cantigas de roda
com gosto bom de saudade.

Sou criança, novamente.
Posso rir, posso chorar.

Abro meus braços e abraço,
num gesto de faz de conta,
este minuto encantado
que traz de volta a criança
de cabelos despenteados,
pés descalços pelo chão,
cantando canções de roda
com gosto bom de saudade...

Mas, será que foi agora,
neste momento esquecido,
nesta ternura sofrida
que minha infância eu perdi?

Ou, se foi com a boneca
despedaçada, num canto,
que a criança tão alegre
menina-triste ficou?

Menina-triste escondida,
buscando a estrela perdida
de um sonho que não voltou

Clara Haag Kipper


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